Código Personalizado
Notícias

Caso Orelha reacende debate sobre maus-tratos animais e população exige punição dos envolvidos; veja como denunciar

Escrito por Caroline Pasternack

04 FEV 2026 - 14H56 (Atualizada em 04 FEV 2026 - 16H14)

O caso do cão conhecido como Orelha, em Florianópolis (SC), reacendeu a discussão sobre violência contra animais no Brasil e mobilizou a sociedade civil, autoridades e protetores de animais em todo o país.

Em 4 de janeiro de 2026, Orelha — um cachorro comunitário de cerca de 10 anos, muito querido pelos moradores da Praia Brava, em Florianópolis — foi brutalmente agredido por um grupo de quatro adolescentes. Após ser encontrado em estado grave, ele foi levado a uma clínica veterinária e, no dia seguinte, precisou ser eutanasiado devido aos ferimentos gravíssimos. As perícias indicaram traumatismo craniano causado por objeto contundente, sem que o instrumento usado fosse encontrado pelas autoridades até o momento.

A Polícia Civil de Santa Catarina assumiu o caso e abriu investigação sobre o fato. Pelo menos 20 testemunhas já foram ouvidas e cerca de 1.000 horas de imagens de câmeras de segurança foram analisadas para entender melhor o que ocorreu. Dois dos quatro adolescentes suspeitos estavam em viagem aos Estados Unidos — segundo a polícia, a viagem já estava programada — e retornaram ao Brasil recentemente, com seus celulares apreendidos para perícia.

A polícia descartou, até o momento, indícios de que o crime tenha sido motivado por desafios de redes sociais. Familiares de dois adolescentes e um tio foram indiciados por coagir testemunhas, dificultando o curso das investigações. Não há, até o momento, detidos ou sentenças definitivas, e o caso segue em apuração.

Impacto e repercussão nacional

O caso provocou protestos em diversas capitais brasileiras, como São Paulo, Vitória, Brasília e Belo Horizonte, onde manifestantes pediram justiça e punição adequada para crimes contra animais. A mobilização popular reacende debates não só sobre proteção dos animais, mas também sobre mudanças na legislação e maior rigor na responsabilização de menores e responsáveis legais.

No Brasil, foram registrados aproximadamente 4.919 processos por maus-tratos a animais em 2025, uma média de cerca de 13 novos casos por dia — número 21% maior que no ano anterior. Em Mato Grosso do Sul, só em 2025, houve mais de 18.200 denúncias de maus-tratos contra animais domésticos, com uma média de 1.660 denúncias por dia.

Em Santa Catarina, entre 1º e 25 de janeiro de 2026, foram contabilizados 371 animais vítimas de maus-tratos, o que representa cerca de 14 casos por dia. Esses números mostram que a violência contra animais é um problema estrutural e não um caso isolado — e que a denúncia e a ação cidadã são essenciais para enfrentá-lo.

Como denunciar maus-tratos a animais

Denunciar é um dever cívico e pode fazer a diferença para salvar vidas e responsabilizar criminosos.

  • Polícia Militar (190) — acione imediatamente se o abuso estiver ocorrendo naquele momento.
  • Registro formal: Delegacia de Polícia Civil: vá até a delegacia mais próxima e registre um Boletim de Ocorrência (BO), com o máximo de informações: endereço, fotos, vídeos, descrição detalhada e possíveis testemunhas.
  • Delegacia de Proteção Animal (quando houver) — algumas cidades contam com delegacias especializadas.
  • Delegacias eletrônicas de muitos estados permitem registrar ocorrências pela internet.
  • Ministério Público estadual — denúncias também podem ser feitas nos canais digitais do MP.
  • Disque-Denúncia (181) — opção anônima em vários estados.

Denunciar maus-tratos é proteger seres que não podem se defender, cumprir a lei e fortalecer o senso de responsabilidade coletiva. O caso de Orelha comoveu e mobilizou milhões de brasileiros porque mostra, de forma dolorosa, o que acontece quando a violência encontra impunidade. Transformar indignação em ação, pressionar por leis mais rígidas e por fiscalização efetiva é um passo crucial para que episódios como esse se tornem cada vez mais raros.

Boleto

Reportar erro!

Comunique-nos sobre qualquer erro de digitação, língua portuguesa, ou de uma informação equivocada que você possa ter encontrado nesta página:

Por Caroline Pasternack, em Notícias

Obs.: Link e título da página são enviados automaticamente.