O caso do cão conhecido como Orelha, em Florianópolis (SC), reacendeu a discussão sobre violência contra animais no Brasil e mobilizou a sociedade civil, autoridades e protetores de animais em todo o país.
Em 4 de janeiro de 2026, Orelha — um cachorro comunitário de cerca de 10 anos, muito querido pelos moradores da Praia Brava, em Florianópolis — foi brutalmente agredido por um grupo de quatro adolescentes. Após ser encontrado em estado grave, ele foi levado a uma clínica veterinária e, no dia seguinte, precisou ser eutanasiado devido aos ferimentos gravíssimos. As perícias indicaram traumatismo craniano causado por objeto contundente, sem que o instrumento usado fosse encontrado pelas autoridades até o momento.
A Polícia Civil de Santa Catarina assumiu o caso e abriu investigação sobre o fato. Pelo menos 20 testemunhas já foram ouvidas e cerca de 1.000 horas de imagens de câmeras de segurança foram analisadas para entender melhor o que ocorreu. Dois dos quatro adolescentes suspeitos estavam em viagem aos Estados Unidos — segundo a polícia, a viagem já estava programada — e retornaram ao Brasil recentemente, com seus celulares apreendidos para perícia.
A polícia descartou, até o momento, indícios de que o crime tenha sido motivado por desafios de redes sociais. Familiares de dois adolescentes e um tio foram indiciados por coagir testemunhas, dificultando o curso das investigações. Não há, até o momento, detidos ou sentenças definitivas, e o caso segue em apuração.
Impacto e repercussão nacional
O caso provocou protestos em diversas capitais brasileiras, como São Paulo, Vitória, Brasília e Belo Horizonte, onde manifestantes pediram justiça e punição adequada para crimes contra animais. A mobilização popular reacende debates não só sobre proteção dos animais, mas também sobre mudanças na legislação e maior rigor na responsabilização de menores e responsáveis legais.
No Brasil, foram registrados aproximadamente 4.919 processos por maus-tratos a animais em 2025, uma média de cerca de 13 novos casos por dia — número 21% maior que no ano anterior. Em Mato Grosso do Sul, só em 2025, houve mais de 18.200 denúncias de maus-tratos contra animais domésticos, com uma média de 1.660 denúncias por dia.
Em Santa Catarina, entre 1º e 25 de janeiro de 2026, foram contabilizados 371 animais vítimas de maus-tratos, o que representa cerca de 14 casos por dia. Esses números mostram que a violência contra animais é um problema estrutural e não um caso isolado — e que a denúncia e a ação cidadã são essenciais para enfrentá-lo.
Como denunciar maus-tratos a animais
Denunciar é um dever cívico e pode fazer a diferença para salvar vidas e responsabilizar criminosos.
Denunciar maus-tratos é proteger seres que não podem se defender, cumprir a lei e fortalecer o senso de responsabilidade coletiva. O caso de Orelha comoveu e mobilizou milhões de brasileiros porque mostra, de forma dolorosa, o que acontece quando a violência encontra impunidade. Transformar indignação em ação, pressionar por leis mais rígidas e por fiscalização efetiva é um passo crucial para que episódios como esse se tornem cada vez mais raros.
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