São Paulo, julho de 2026. Julho é tradicionalmente um dos meses de maior movimentação nas estradas e aeroportos brasileiros. Com as férias escolares, cresce também o número de famílias que viajam acompanhadas de seus animais de estimação. Mas, em meio aos preparativos, um detalhe costuma passar despercebido pelos responsáveis: manter a rotina alimentar dos pets.
Segundo a médica-veterinária Mayara Andrade, de GranPlus (MBRF Pet), mudanças repentinas na alimentação estão entre as principais causas de desconfortos gastrointestinais durante as viagens. Excesso de petiscos e a oferta de alimentos destinados ao consumo humano podem provocar episódios de vômito, diarreia, perda de apetite e desconforto abdominal.
"Viajar já representa uma mudança importante na rotina do animal. Ele passa a conviver com ambientes desconhecidos, novos estímulos, deslocamentos e, muitas vezes, longos períodos dentro do carro ou de caixas de transporte. Quando a alimentação também sofre alterações, o organismo tende a sentir esse impacto, podendo resultar em sintomas gastrointestinais importantes", explica a veterinária.
O alerta vai ao encontro das orientações do Conselho Regional de Medicina Veterinária do Estado de São Paulo (CRMV-SP), que recomenda manter a alimentação habitual dos animais durante viagens e evitar mudanças bruscas na dieta, reduzindo o risco de alterações digestivas.
Para quem pretende viajar, o planejamento começa antes mesmo de sair de casa. A recomendação, segundo Mayara, é calcular a quantidade de alimento necessária para todo o período da viagem e levar uma reserva para eventuais imprevistos. Separar as porções diárias também ajuda a evitar exageros, especialmente porque muitos responsáveis acabam oferecendo petiscos extras ou aumentando a quantidade de ração como forma de agradar o animal durante o passeio.
A profissional explica que, caso seja necessário trocar a alimentação, a adaptação deve ser feita gradualmente, por pelo menos uma semana, podendo ser estendida caso haja necessidade, permitindo que o sistema digestivo se ajuste ao novo alimento.
Outro cuidado importante envolve o momento da refeição antes da viagem. De acordo com Mayara, o ideal é evitar alimentar o animal imediatamente antes de percursos longos.
"Uma refeição mais leve algumas horas antes da saída costuma ser o indicado. Isso diminui a chance de enjoos e desconforto durante o trajeto. Para pets que costumam enjoar, além da medicação para enjoo, também é recomendado evitar oferecer grandes quantidades de alimento enquanto o veículo está em movimento", orienta.
A hidratação também merece atenção especial, mesmo durante o inverno. Embora as temperaturas mais baixas reduzam a sensação de sede, cães e gatos continuam precisando ingerir água regularmente. “Nas viagens de carro, o ideal é fazer paradas periódicas para oferecer água fresca e permitir que o animal caminhe um pouco, sempre em local seguro. Os alimentos úmidos, como sachês, por exemplo, podem ser aliados, principalmente para os gatos e cães de porte mini e pequeno, que naturalmente apresentam menor consumo de água", explica.
Outro hábito bastante comum nas férias é compartilhar refeições com o pet. Apesar da boa intenção, a veterinária alerta que essa prática pode trazer riscos à saúde dos animais. Alimentos como carnes muito temperadas, embutidos, frituras, chocolates, uvas, cebola, alho e produtos adoçados com xilitol podem causar desde alterações digestivas até intoxicações graves.
"O organismo dos cães e dos gatos tem necessidades nutricionais diferentes das nossas. Mesmo durante uma viagem, eles precisam continuar recebendo uma alimentação completa e balanceada. Evitar alimentos inadequados é uma forma simples de prevenir problemas que podem comprometer toda a experiência da família", afirma Mayara.
Além da alimentação, o transporte adequado também faz diferença para o bem-estar dos animais. O CRMV recomenda que cães e gatos sejam transportados em caixas de transporte, cadeirinhas ou cintos de segurança específicos para pets, nunca soltos dentro do veículo. Levar objetos conhecidos, como cama, manta ou brinquedos, também ajuda a reduzir o estresse provocado pelo ambiente novo.
Antes de viajar, vale ainda conferir se vacinas, desvermifugação e controle de ectoparasitas estão atualizados, além de levar a carteira de vacinação e os contatos do médico-veterinário caso seja necessário atendimento durante o passeio.
"Os pets gostam da companhia da família, mas continuam precisando de previsibilidade. Quando conseguimos manter a rotina alimentar, oferecer uma nutrição de qualidade e planejar o transporte, diminuímos muito as chances de problemas durante a viagem. Assim, as férias ficam mais tranquilas para todos", conclui a veterinária.
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