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Fim da escala 6×1: quais os impactos para clínicas veterinárias e empresas do setor pet?

Possível mudança na jornada de trabalho pode elevar custos, exigir reorganização das equipes e trazer novos desafios para clínicas veterinárias, hospitais e pet shops

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Escrito por Cães e gatos - Editado por Cães e gatos

07 JUL 2026 - 09H00

A possível extinção da escala 6×1 voltou ao centro das discussões no Brasil e desperta a atenção do mercado veterinário.

Clínicas, hospitais e pet shops acompanham o tema de perto diante dos reflexos imediatos na gestão de equipes, na continuidade dos atendimentos e nas finanças dos negócios.

Para analisar esse cenário, o administrador com especialização em marketing e consultor com cerca de 20 anos de experiência no mercado pet, Fábio Junqueira, avalia que qualquer mudança exigirá adaptação.

“A gente fala em uma variação entre 18% e 22% a mais no custo operacional de cada serviço”, afirma.

Por outro lado, ele acredita que uma jornada mais equilibrada pode fortalecer os resultados das empresas a longo prazo.

Custos exigirão revisão da gestão financeira

Uma eventual redução da jornada de trabalho afetará, principalmente, as empresas que mantêm equipes atuando durante toda a semana.

“O primeiro impacto é esse. Se a empresa já não está corretamente precificada hoje, imagina se realmente isso for aprovado. Não vai fechar a conta”, ressalta Junqueira.

Para o empreendedor, esse cenário reforça a urgência de revisar a formação dos preços dos serviços antes que qualquer mudança entre em vigor. Apesar do possível aumento das despesas, ele afirma, por experiência própria, que jornadas menores não significam perda de rentabilidade.

“Quando adotei um modelo semelhante ao 5×2 há dez anos nos meus negócios, minha rentabilidade, meu rendimento e meu faturamento aumentaram”, elucida.

Plantões e escalas exigirão reorganização

O funcionamento de clínicas e hospitais veterinários durante finais de semana, feriados e plantões de 24 horas é um dos maiores gargalos do debate. Manter a continuidade dos atendimentos será possível, mas exigirá uma gestão muito mais estratégica das equipes.

“O empresário consegue mesclar horários, dar folgas durante a semana, trabalhar com equipes reduzidas nos dias mais fracos e mais completas nos dias mais fortes. Com planejamento, isso não atrapalha a operação”, explica o consultor.

Fabio ainda acrescenta, porém, que o consumidor final sentirá o reflexo: “O empresário não consegue absorver esse valor porque hoje já trabalha com uma margem menor. No final das contas, quem acaba pagando é o cliente”.

Jornada equilibrada pode beneficiar os profissionais

Embora existam desafios financeiros, Junqueira pondera que o bem-estar dos colaboradores gera retorno direto para o ecossistema médico. Profissionais com melhores condições de descanso tendem a faltar menos e a permanecer por mais tempo na empresa.

“Quando você melhora a qualidade de vida do profissional, melhora também o ambiente de trabalho. A gente diminui absurdamente as faltas e consegue manter o funcionário por mais tempo”, assegura.

Como o mercado pode se preparar

Mesmo com a proposta ainda em tramitação, as empresas do setor já podem adotar medidas preventivas de gestão humana.

Junqueira recomenda focar na implementação da NR-1 (Norma Regulamentadora que dita as diretrizes gerais de segurança e saúde no trabalho, com uma atenção especial aos riscos psicossociais) além de programas de apoio socioemocional.

“Os profissionais que trabalham na área não são máquinas. Quando tratamos as pessoas como seres humanos, fica muito mais fácil crescer e alcançar resultados positivos”, destaca.

O debate, portanto, surge como uma oportunidade para clínicas e hospitais revisarem seus modelos, conciliando sustentabilidade financeira com dignidade trabalhista.Na visão do empreendedor, a mudança pode acelerar uma transformação necessária no setor: “Hoje, infelizmente, muitos profissionais da Medicina Veterinária não são valorizados o quanto merecem.”

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