O mercado pet brasileiro deve encerrar 2026 com faturamento de R$ 81 bilhões, um crescimento de 4,35% em relação aos R$ 77,96 bilhões registrados em 2025. O resultado, estimado pela Associação Brasileira das Empresas do Setor de Animais de Estimação (Abempet) a partir do desempenho do primeiro semestre, reforça a dimensão do setor, mas também evidencia um cenário de crescimento mais moderado do que o observado nos primeiros anos da década.
O mercado vem passando por uma transformação na composição da demanda. Enquanto o pet food permanece como principal fonte de receita, categorias relacionadas a cuidados, bem-estar e serviços ganham espaço e passam a incorporar tendências de outros segmentos de consumo.
O pet food deve movimentar R$ 42,9 bilhões em 2026, o equivalente a 52,8% do faturamento total projetado para o setor. Na sequência aparecem a venda de animais, com previsão de R$ 8,9 bilhões, e o segmento de saúde animal, que deve alcançar R$ 8,6 bilhões. Entre os canais, pequenos e médios pet shops concentram aproximadamente R$ 39 bilhões, ou 48% do faturamento projetado, enquanto clínicas e hospitais veterinários devem movimentar R$ 14 bilhões.
Pet care amplia espaço no mercado
Dentro desse cenário, o pet care aparece como uma das frentes que ajudam a diversificar o consumo. O segmento movimentou R$ 4,8 bilhões apenas no primeiro semestre de 2026, avanço projetado de 5,34% em relação ao mesmo período do ano anterior, segundo dados da Abempet.
O crescimento acompanha uma mudança no próprio conceito de cuidado com os animais. Produtos de higiene começam a dividir espaço com soluções voltadas à estética, saúde da pele e pelagem e bem-estar. Cosméticos veganos, produtos prontos para uso, hidratações e tratamentos específicos estão entre as novidades que chegam ao mercado, enquanto conceitos como skincare animal passam a fazer parte do vocabulário da categoria.
A influência do mercado de consumo humano também aparece no desenvolvimento de produtos. Tendências de skincare e hair care servem como referência para novas soluções, mas a adaptação precisa considerar as necessidades específicas de cães, gatos e outras espécies. A avaliação da relevância dessas tendências na rotina dos tutores passa, portanto, a ser parte importante do desenvolvimento de novos produtos.
Inovação como estratégia de diferenciação
A busca por novas categorias também abre espaço para modelos de negócio diferentes. No pet care, pet shops e profissionais independentes podem recorrer a fabricantes especializados para desenvolver marcas próprias, utilizando o modelo de private label sem a necessidade de investir na construção de uma estrutura industrial própria.
Outra frente de expansão está na digitalização dos serviços. Plataformas que reúnem hospedagem, pet sitter, passeios, creches e banho e tosa buscam responder à rotina dos tutores e ampliar a conveniência. Para 2027, empresas do segmento já projetam investimentos em experiência do usuário, inteligência de dados, automação e personalização.
A diversificação também alcança espécies além de cães e gatos. Aves, répteis e pequenos mamíferos representam uma oportunidade para o mercado, embora a expansão dependa do desenvolvimento de produtos adequados às necessidades específicas de cada animal e de maior conhecimento técnico por parte dos estabelecimentos.
Um mercado grande, mas diante de novos desafios
Apesar da projeção positiva, o avanço de 4,35% previsto para 2026 acontece em um contexto de desaceleração. Segundo a Abempet, o crescimento do setor, que chegou a 26,4% em 2021, perdeu ritmo nos anos seguintes. Inflação, câmbio, juros e carga tributária aparecem entre os fatores que pressionam as margens das empresas. No pet food, por exemplo, a valorização do dólar afeta diretamente os custos de ingredientes utilizados na produção.
Ao mesmo tempo, o mercado mantém uma base ampla de consumidores, já que o Brasil chegou a 166,8 milhões de animais de companhia, segundo o levantamento da Abempet, mantendo a terceira maior população pet do mundo. No comércio exterior, o setor também apresentou avanço. As exportações cresceram 12% no primeiro semestre de 2026, com 89% do valor concentrado em produtos de pet food.
Com isso, as projeções para o restante do ano apontam para um mercado que continua crescendo, mas cuja expansão passa cada vez mais pela capacidade das empresas de identificar novas necessidades de consumo. Se o pet food mantém a escala do setor, categorias como pet care, serviços, saúde e soluções digitais ajudam a ampliar o ecossistema e criam novas possibilidades de negócios.
Setor pet projeta R$ 81 bilhões e avanço de 4,35% em 2026
O mercado pet brasileiro deve faturar R$ 81 bilhões em 2026, com crescimento de 4,35%. Apesar da expansão, fatores como tributação, inflação e câmbio seguem pressionando o setor.
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