O Brasil entrou definitivamente no radar de empresas pet que buscam novos mercados para crescer. Durante a PET South America 2026, realizada em São Paulo, a Rodada de Negócios Internacional reuniu 20 empresas expositoras de nove países e 20 compradores de 12 nações, que realizaram cerca de 400 reuniões, gerando US$ 3,65 milhões em negociações estimadas.
Do total de expositores participantes da rodada, 12 eram estrangeiros. Estiveram representados Brasil, Estados Unidos, Ucrânia, República Tcheca, Singapura, Hungria, Turquia, China e Chile. Entre os compradores, participaram profissionais da Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Guatemala, Panamá, Paraguai, Peru, República Dominicana, Trinidad & Tobago e Uruguai, além do Brasil.
O interesse internacional tem um mercado de grande escala como pano de fundo. O Brasil ocupa a terceira posição no mercado global de pet food, além de concentrar as cinco maiores empresas de alimentos para animais de companhia da América do Sul. Esse ecossistema torna o país um mercado estratégico não apenas pelo potencial de consumo interno, mas também como porta de entrada para outros mercados latino-americanos.
Da exportação à estratégia de entrada no mercado
A movimentação observada durante a rodada indica uma mudança no perfil do interesse estrangeiro. Em vez de simplesmente buscar compradores para exportar produtos, empresas chegam ao Brasil procurando parceiros capazes de ajudá-las a construir presença e entender as particularidades do mercado local.
Foi o caso da ucraniana Kormotech, fabricante de alimentos para cães e gatos que exporta para mais de 40 países. Em sua primeira participação no Brasil, a empresa buscou distribuidores e importadores para ampliar a presença de suas marcas e também desenvolver negócios em private label na América do Sul.
A estratégia se repete em outros segmentos. A tcheca Kiwi Walker, especializada em brinquedos para pets, participou da feira com foco na prospecção de parceiros para sua entrada na América do Sul. Empresas chinesas, por sua vez, ampliaram sua presença na edição de 2026 e exploraram oportunidades relacionadas a modelos de white label, aproximando fabricantes e compradores.
O movimento acompanha transformações no comércio internacional, com empresas buscando diversificar mercados e reduzir a dependência de determinados destinos. Nesse cenário, a América Latina — e especialmente o Brasil — ganha relevância para fabricantes que procuram novos consumidores e parceiros comerciais.
Um mercado grande e cada vez mais competitivo
A chegada de novos players internacionais também aumenta o nível de competição dentro do mercado brasileiro. Design, inovação, tecnologia, funcionalidade e modelos de produção como private label e white label aparecem entre as estratégias utilizadas pelas empresas estrangeiras para conquistar espaço.
Na PET South America 2026, essa diversidade ficou evidente nos lançamentos apresentados pelos expositores. Entre as novidades estavam produtos funcionais para alimentação e bem-estar, soluções tecnológicas para cuidados com gatos e ferramentas voltadas ao acompanhamento da saúde dos animais.
Para a indústria brasileira, a internacionalização traz um cenário de dupla oportunidade: ao mesmo tempo em que aumenta a concorrência no mercado doméstico, abre possibilidades para empresas nacionais ampliarem sua atuação internacional e estabelecerem novas conexões comerciais.
A própria edição de 2026 reforçou esse potencial. PET South America e PET VET Expo reuniram mais de 27 mil visitantes e cerca de 360 marcas expositoras. Somadas as rodadas internacional e nacional, foram 640 reuniões, que contribuíram para o recorde de R$ 36 milhões em negócios estimados durante os eventos.
Brasil como hub para a América Latina
Além de ser uma vitrine das novidades do setor, a PET South America se consolida como espaço de conexão entre diferentes mercados e elos da cadeia pet. O potencial de internacionalização da indústria nacional é reforçado pela projeção apresentada durante o Petfood Forum Brasil, realizado na própria PET South America. Especialistas estimam que as exportações brasileiras de alimentos para cães e gatos podem dobrar nos próximos cinco anos, passando de cerca de 100 mil para 200 mil toneladas anuais.
Nesse contexto, o Brasil ocupa uma posição estratégica na cadeia global: é, simultaneamente, um dos maiores mercados consumidores de pet food e uma plataforma com potencial para produção, distribuição e expansão de negócios pela América Latina.
“A internacionalização do setor acontece nos dois sentidos. O Brasil é um mercado extremamente relevante para empresas estrangeiras, mas também oferece às marcas nacionais uma oportunidade de olhar para fora e ampliar sua presença regional. A feira funciona como um ponto de encontro para essas duas frentes”, afirma Guilherme Martinez, Diretor de eventos PET da NürnbergMesse Brasil, produtora do evento.
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