O setor pet brasileiro faturou R$ 77,96 bilhões em 2025, alta de 3,45% sobre 2024, segundo a Abempet. Para o pet shop, que é o principal canal do varejo, o recado é direto: com o mercado crescendo em ritmo mais moderado, o ganho tende a vir de vender melhor para quem já está na loja, e o ticket médio é o indicador que mede isso.
Segundo o mesmo release da Abempet, os pet shops pequenos e médios movimentaram R$ 37,49 bilhões no quarto trimestre, quase metade do varejo do setor, e as clínicas e hospitais veterinários, R$ 13,64 bilhões. É nesse universo de lojas de bairro que cada real a mais por visita faz diferença.
O que o ticket médio mede, e o que ele esconde
O cálculo é simples: faturamento total dividido pelo número de vendas. Uma loja com R$ 30 mil de faturamento mensal e 600 vendas tem ticket médio de R$ 50. O indicador, porém, pode enganar quando analisado sozinho. Como exemplo, o blog da ZettaPET compara duas lojas que faturam R$ 40 mil: uma com 1.000 vendas (ticket de R$ 40) e outra com 500 vendas (ticket de R$ 80), e argumenta que a segunda pode ser mais eficiente.
Por isso, a recomendação é acompanhar o ticket junto de volume de vendas, margem por serviço, taxa de retorno e faltas em agendamentos, para não confundir aumento de preço com melhora real do negócio.
Categorias que crescem e categorias que encolhem
Dados da Scanntech, divulgados pelo Mercado&Consumo em 13 de outubro, mostram para onde o consumo se desloca no acumulado de 2026. Os números acompanham o varejo monitorado pela empresa e não representam o mercado total:
• vestuário pet: receita 102,2% maior, com alta de 35,7% em unidades;
• suplementos: receita 42,2% maior, com alta de 32,6% em unidades;
• petiscos para gatos: receita 26,1% maior, com participação subindo de 1,8% para 2,2%;
• acessórios: receita 10,9% menor e unidades 13,6% menores;
• produtos de banho: receita 4,4% menor e unidades 9,9% menores.
A leitura para o lojista é comparar o mix da própria loja com esse movimento. Categorias de maior valor agregado e de uso recorrente tendem a sustentar ticket melhor do que itens de compra eventual, que perdem espaço.
Serviço recorrente muda a conta
Em matéria publicada no Diário do Comércio e reproduzida pelo Sindilojas-SP em junho de 2025, o CEO da rede Petland afirmou que assinantes de banho mensal visitam a loja cerca de 3,7 vezes por mês, contra aproximadamente duas visitas de quem não assina. A frequência maior fortalece a fidelização e pode elevar o ticket, além de dar previsibilidade de receita e reduzir a dependência de picos sazonais.
O mesmo texto lembra que o plano precisa entregar valor claro ao cliente e cobrir custos e margem, com acompanhamento de indicadores como churn, LTV e CAC. O blog da ZettaPET reforça o cuidado com planos de regras e validade definidas e com controle de agendamento e consumo.
Consultoria no balcão em vez de desconto
O contexto de preços também pede cuidado. Levantamento do Mercado Mineiro em 27 pet shops de Belo Horizonte, publicado pelo jornal O Tempo em 19 de outubro, encontrou alta em todos os itens avaliados, e tutores relataram que adiam o banho para economizar. A diferença de preço entre lojas para o mesmo serviço chegou a quase 256%. O recorte é regional, mas indica que baixar preço nem sempre é a saída.
A alternativa apontada pela ZettaPET é o atendimento consultivo: registrar o tipo de pelagem, nós e condição das unhas, explicar o benefício de cada serviço adicional conforme o animal e deixar a decisão com o tutor. Segundo o blog, o indicador deve crescer como consequência de um atendimento consultivo, e não de pressão comercial. Contatos por WhatsApp para quem está atrasado na recompra ou no banho, a partir do histórico de compras, também ajudam, em vez de promoções para toda a base.
Disponibilidade também vende
Pesquisa da Associação Paulista de Supermercados (APAS), divulgada pelo Estado de Minas em 16 de outubro, mostra que 54% dos consumidores compram produtos pet em supermercados e que 39% deles já deixaram de comprar em uma loja por não encontrar o produto desejado. Embora trate do varejo alimentar, o dado vale como alerta: ruptura de estoque é venda perdida e reduz o ticket.
Checklist para a próxima semana
• calcular o ticket médio de loja e de banho e tosa separadamente;
• comparar o mix de categorias com o movimento de vestuário, suplementos e petiscos;
• listar os clientes atrasados no banho e fazer contato personalizado;
• avaliar um plano recorrente com regras, validade e controle de consumo;
• registrar a avaliação do pet em cada atendimento para embasar a recomendação;
• conferir rupturas das categorias de maior giro.
Com o mercado em ritmo mais moderado e o tutor atento ao orçamento, o lojista que acompanha poucos indicadores, trabalha o mix e transforma visita eventual em recorrência tende a ganhar espaço sobre quem disputa apenas preço. O ticket médio, nesse cenário, deixa de ser um número de fim de mês e passa a orientar a rotina da loja.
Nota sobre os dados: fontes diferentes apresentam taxas de crescimento distintas para o mercado pet (por exemplo, 3,45% no faturamento do setor em 2025 segundo a Abempet, e 12,8% em valor no varejo medido pela APAS, segundo o Estado de Minas), por conta de metodologias e recortes diferentes. Por isso, este texto não compara esses números entre si.
Fontes e referências
Release de projeção 2025 do setor pet (Comunicado)
Autor/veículo: Abempet | Data: fev/2026
https://www.gov.br/agricultura/pt-br/assuntos/camaras-setoriais-tematicas/documentos/camaras-setoriais/animais-e-estimacao/2026/45a-ro-23-04-2026/release-projecao-2025-setor-pet.pdf
Vendas de alimentos para gatos chegam a 31% e impulsionam mercado pet em 2026
Autor/veículo: Redação Mercado&Consumo (dados Scanntech) | Data: 13/10/2026
https://mercadoeconsumo.com.br/13/10/2026/noticias-varejo/vendas-de-alimentos-para-gatos-chegam-a-31-e-impulsionam-mercado-pet-em-2026/
O que é ticket médio no pet shop e como aumentar
Autor/veículo: ZettaPET (autoria não identificada) | Data: 22/09/2026
https://blog.zettapet.com.br/o-que-e-ticket-medio-no-pet-shop/
Banho por assinatura em Pet Shops: quais as vantagens?
Autor/veículo: Sindilojas-SP (republicação do Diário do Comércio) | Data: 18/06/2025
https://sindilojas-sp.org.br/banho-por-assinatura-em-pet-shops-quais-as-vantagens/
Serviços de pet shop ficam até 47% mais caros em BH, e tutores repensam gastos
Autor/veículo: Gabriel Rodrigues, O Tempo | Data: 19/10/2026
https://otempo.com.br/economia/2026/10/19/servicos-de-pet-shop-ficam-ate-47-mais-caros-em-bh-e-tutores-repensam-gastos
Mercado pet cresce 12,8% e ganha espaço nas compras de supermercado
Autor/veículo: Estado de Minas (sem assinatura individual; dados APAS) | Data: 16/10/2026
https://www.em.com.br/economia/2026/10/7521909-mercado-pet-cresce-128-e-ganha-espaco-nas-compras-de-supermercado.html
Texto produzido pela equipe do PET Conecta com base nas fontes acima.
Special Dog: “os investimentos vão se concentrar no super premium”
Em entrevista exclusiva, diretora administrativa reafirma o interesse da companhia em novas fontes de proteína e compromisso com a sustentabilidade
Serviços de pet shop ficam até 47% mais caros em Belo Horizonte, e tutores repensam gastos enquanto lojistas repassam custos
Levantamento do Mercado Mineiro com 27 estabelecimentos mostra alta em todos os itens analisados, de banho e tosa a vacina antirrábica, com diferença de até 256% entre lojas.
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