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Tosa funcional, olhar para a pele e secagem bem feita: o que os groomers precisam ajustar no serviço antes da alta temporada de verão

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Escrito por Pet Conecta Digital

22 OUT 2026 - 09H00

O segmento de serviços gerais foi o que mais cresceu no mercado pet brasileiro em 2025, com alta de 6,9%, segundo a Abempet, em dados divulgados pelo Panorama Pet&Vet. O setor como um todo faturou R$ 77,96 bilhões no ano, alta nominal de 3,45%, a menor desde 2019. Em um mercado que desacelera, o serviço segue ganhando espaço.

Com a chegada do verão, a demanda por tosas e banhos tende a crescer, e junto com ela a pressão por cortes curtos. As fontes consultadas para este artigo, entre médicos-veterinários e portais de saúde animal, apontam na mesma direção: o corte mais curto nem sempre é o mais seguro, e o grooming de verão pede decisão técnica por tipo de pelagem.

Tosa funcional no lugar da tosa "máxima"

A médica-veterinária Aline Ambrogi, docente do curso de Medicina Veterinária do UniFAJ, explicou ao Portal Cães e Gatos que a tosa pode reduzir o desconforto térmico, mas depende da pelagem, do clima e da forma como é feita. Segundo ela, os pelos protegem contra radiação solar, variações de temperatura, umidade, vento e traumas, e por isso a ideia de que pelo mais curto é sempre melhor não tem base fisiológica.

As orientações por tipo de pelagem, segundo o mesmo texto, são:

• pelo longo de crescimento contínuo: corte controlado, em média a cada 4 a 8 semanas, mantendo comprimento suficiente para proteger a pele;

• pelagem dupla: não retirar o comprimento total, pois o pelo funciona como isolante térmico; a principal estratégia é a escovação frequente, que remove fios mortos e subpelo;

• pelo curto: geralmente dispensa tosa, bastando banho e escovação;

• tosa zero: desaconselhada, porque pode causar queimaduras solares, dermatites, alterações permanentes no crescimento do pelo e até neoplasias cutâneas.

A professora Ashley Navarrette, da Texas A&M University (EUA), ouvida pelo jornal A Crítica, reforça o ponto: "tosar completamente um cão geralmente não é necessário, a menos que existam pelos embaraçados". Ela cita Husky Siberiano, Labrador, Pastor Australiano e Lulu da Pomerânia como exemplos de pelagem dupla, em que a retirada excessiva dos pelos pode alterar o crescimento da pelagem.

Subpelo e alternativas à tosa curta

Um artigo da clínica EndocrinoDerm, escrito por médicos-veterinários, detalha por que a tosa nem sempre resfria. Os cães perdem calor principalmente por evaporação, pela língua e pelo focinho, e o ganho da tosa varia com o tipo de pelo. Em cães de pelagem dupla do tipo spitz, por exemplo, o texto afirma que a tosa muito baixa pode causar alopecia pós-tosa, e que sob sol forte um pelo mais longo protege melhor.

Para esses casos, o artigo lista alternativas que o groomer pode oferecer:

• uso de ventiladores, que aumentam a evaporação e a convecção;

• tosa da região ventral (barriga e peito), para ampliar o contato da pele com superfícies frescas;

• remoção do excesso de subpelo com rastelos ou ferramentas do tipo furminator, que, segundo o texto, tem risco mínimo de alopecia;

• tapetes condutores, para uso em casa.

Pele, dobras e orelhas: o grooming que observa

Outro movimento citado entre as tendências de grooming é o atendimento que combina banho e tosa com a checagem de pele, pelagem e comportamento, para que o profissional perceba problemas cedo e oriente o encaminhamento ao veterinário. A descrição é da Equipe INTEC, instituição de ensino, em artigo que também destaca a formação técnica, com noções de dermatologia, manejo comportamental e biossegurança, como diferencial competitivo.

O artigo de A Crítica lista sinais que não devem ser tratados como simples efeito do calor: coceira persistente, vermelhidão, descamação, mau cheiro, feridas, áreas úmidas, queda localizada de pelos e lambedura ou mordidas excessivas. Cães com muitas dobras podem reter umidade, o que favorece bactérias e leveduras, e secreção, odor ou vermelhidão nas orelhas merecem avaliação veterinária.

A secagem entra na mesma conta. Deixar a pelagem úmida, sobretudo em cães muito peludos, pode favorecer problemas de pele, e o texto recomenda produtos específicos para animais e secagem adequada.

Sinais de emergência no salão

Segundo o mesmo artigo, ofegação muito intensa, fraqueza, desorientação, vômitos, salivação excessiva ou dificuldade para respirar durante a exposição ao calor exigem atendimento veterinário imediato. Idosos, obesos, braquicefálicos e animais com problemas de saúde pedem atenção redobrada.

Um ponto adicional vem da EndocrinoDerm: cães que se mudam de regiões mais frias podem levar até 60 dias para se aclimatar, período em que o risco de intermação é maior.

Checklist para o atendimento de verão

Com base nas orientações das fontes citadas, uma lista prática para a equipe pode incluir:

• identificar o tipo de pelagem antes de definir o comprimento do corte;

• evitar a tosa zero e explicar o motivo ao tutor;

• priorizar escovação e remoção de subpelo em cães de pelagem dupla;

• olhar pele, dobras e orelhas durante o banho e registrar alterações;

• secar bem, principalmente cães muito peludos;

• conhecer os sinais de hipertermia e ter o contato de um veterinário de confiança;

• orientar o tutor sobre água fresca, passeios em horários amenos e ambientes ventilados.

O que isso significa para quem trabalha com grooming

Em um segmento que cresce acima da média do mercado, a diferença tende a estar na qualidade da decisão técnica. Explicar ao tutor por que a pelagem dupla não deve ser raspada, observar a pele durante o banho e saber a hora de encaminhar ao veterinário são práticas que transformam o atendimento de verão em um serviço mais seguro e mais fácil de justificar. Para o groomer, a alta temporada passa a ser também um momento de reforçar autoridade técnica junto ao tutor.

Fontes e referências

Panorama Pet&Vet, "Setor pet brasileiro cresce e serviços veterinários avançam 6,7%" (Leo Velozo, 14/10/2026, dados da Abempet): https://panoramapetvet.com.br/setor-pet-brasileiro-cresce-e-servicos-veterinarios-avancam-67/

Abempet, Balanço 2025 (comunicado de imprensa, fevereiro de 2026): https://www.gov.br/agricultura/pt-br/assuntos/camaras-setoriais-tematicas/documentos/camaras-setoriais/animais-e-estimacao/2026/45a-ro-23-04-2026/release-projecao-2025-setor-pet.pdf

Portal Cães e Gatos, "Tosa ajuda mesmo a aliviar o calor nos pets?" (Rebecca Vettore, 13/02/2026, atualizado em 25/08/2026): https://caesegatos.com.br/tosa-aliviar-calor/

A Crítica, "No calor, tosa excessiva e banhos frequentes podem atrapalhar mais que ajudar os pets" (Redação, 11/10/2026): https://www.acritica.com/geral/no-calor-tosa-excessiva-e-banhos-frequentes-podem-atrapalhar-mais-que-ajudar-os-pets-1.417659

EndocrinoDerm, "Tosar ou não o cão no verão?" (Alexandre Bastos Baptista e Rafaela Nunes, sem data): https://www.endocrinologiaveterinaria.com/tosar-ou-nao-tosar

Equipe INTEC, "Grooming Tendências: o Mercado Pet em 2026" (14/04/2026): https://www.eadintec.com.br/blog/grooming-tendencias-mercado-pet-2026

Texto produzido pela equipe do PET Conecta com base nas fontes acima.

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