O mercado de pet care ganha evidência na América Latina e o Brasil é o epicentro desse movimento. Segundo o mais novo relatório do IMARC Group, o setor movimentou US$ 11,38 bilhões na região em 2025 (R$ 59,4 bi) e deve atingir US$ 18,88 bilhões (R$ 98,1 bi) até 2033, com crescimento médio anual de 5,79%.
A expansão é sustentada por três vetores principais – aumento da posse de animais, maior renda disponível e busca crescente por produtos premium e soluções voltadas ao bem-estar. No cenário regional, o Brasil lidera com folga, beneficiado por altas taxas de adoção, urbanização acelerada e forte humanização dos pets.
Esse comportamento se traduz em maior disposição para investir em alimentação especializada, serviços veterinários, grooming e acessórios de maior valor agregado. Ao mesmo tempo, o consumidor latino-americano demonstra maturidade crescente, equilibrando desejo por qualidade com sensibilidade a preço. “Essa é uma combinação que redesenha o mix de produtos e estratégias comerciais do varejo especializado”, analisa o consultor Marco Gioso.
Humanização sustenta a premiumização
A consolidação do pet como membro da família é o principal motor de transformação do setor e se confirma também em dados da Euromonitor International. A consultoria indica que 71% dos tutores no mundo consideram seus animais integrantes do núcleo familiar. Esse vínculo emocional amplia a disposição de gasto com nutrição de qualidade, serviços de saúde preventiva e experiências diferenciadas.
No Brasil, a consultoria projeta crescimento de 56% no mercado até 2028, com o faturamento saltando de R$ 4,49 bilhões para R$ 7 bilhões. “As marcas vêm investindo em diferenciação, benefícios funcionais e soluções personalizadas, enquanto os varejistas ampliam o portfólio de serviços – de centros de bem-estar a spas e planos alimentares sob medida”, ressalta Guilherme Machado, gerente de pesquisas da Euromonitor.
A nutrição é um dos segmentos mais impactados. Cresce a demanda por dietas específicas por porte e raça, alimentos naturais, petiscos funcionais, suplementos e até refeições personalizadas conforme idade, condição clínica e estilo de vida do animal. A tecnologia também entra no radar, com coleiras inteligentes e soluções baseadas em inteligência artificial ampliando o monitoramento da saúde.
Preço importa e exige estratégia
Apesar do avanço da premiumização, o fator preço ganha peso na decisão de compra. Segundo a Euromonitor, 47% dos tutores planejam aumentar suas economias no próximo ano. Como reflexo, 25% tendem a migrar para marcas próprias e 36% priorizam lojas que comunicam melhor seus descontos.
Esse comportamento exige adaptação do varejo. Programas de fidelidade, combos promocionais, serviços agregados e políticas comerciais flexíveis tornam-se ferramentas essenciais para equilibrar margem e volume. “A estratégia passa a combinar produtos premium, que elevam o tíquete médio, com ofertas competitivas que preservam fluxo e recorrência”, acrescenta Machado.
Além disso, o avanço do e-commerce redefine a jornada de compra. Embora o canal físico ainda lidere na América Latina, sustentado por lojas especializadas, supermercados e clínicas veterinárias, o online cresce em ritmo acelerado, impulsionado por conveniência, preços competitivos e modelos de assinatura.
Brasil puxa o crescimento regional
Entre os principais mercados latino-americanos, o Brasil se destaca pela escala e pela sofisticação da demanda. México e Colômbia também avançam com a expansão da classe média e maior penetração digital. Argentina e Chile apresentam crescimento sustentado, enquanto Peru e outros países menores ganham tração com urbanização e maior conscientização sobre saúde animal.
Para a indústria e o varejo, o desafio será manter ritmo de inovação, ampliar serviços e equilibrar acessibilidade com diferenciação. “O cenário aponta para um mercado mais profissionalizado, orientado por dados e cada vez mais conectado ao comportamento do tutor”, finaliza.
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