Nos últimos anos, o mercado pet brasileiro passou por uma mudança importante de linguagem com a substituição do termo “dono” por “tutor” ou “responsável” ao se referir às pessoas que convivem com animais de estimação. A mudança não é apenas semântica, mas também acompanha uma evolução cultural, jurídica e afetiva na relação entre humanos e pets.
Segundo estudiosos do comportamento pet e entidades do setor, a palavra “tutor” reflete melhor a maneira como os animais são vistos nas famílias contemporâneas. Em vez de propriedade, há cuidado; em vez de posse, há vínculo. O termo também dialoga com a humanização dos animais, tendência já consolidada no Brasil, já que grande parte dos tutores considera seus pets membros plenos da família.
Por isso, marcas, estabelecimentos comerciais, clínicas e planos de saúde animal passaram a adotar esse vocabulário para estar alinhados à percepção atual do público, especialmente o consumidor urbano, jovem e digital.
Embora o Código Civil ainda classifique animais como “bens móveis”, decisões judiciais recentes já reconhecem laços afetivos e responsabilidades compartilhadas, especialmente em casos de guarda, visitas e pensão alimentícia após a separação. Nesse cenário, “tutor” e “responsável” aparecem como termos mais adequados para indicar deveres de cuidado, proteção e bem-estar.
Tutor ou Responsável - qual a diferença prática?
Apesar de serem usados como sinônimos, existem algumas características próprias de cada termo:
● Tutor:
É o termo mais empregado em comunicação corporativa, campanhas educativas e atendimento veterinário. Carrega um sentido de cuidado ativo e contínuo. Transmite a ideia de alguém que orienta, acompanha e protege — assim como ocorre na tutela de menores.
● Responsável:
Surge com mais frequência em documentos oficiais, legislações municipais, contratos e regulamentos. Indica dever legal, prestação de contas e cumprimento de normas, especialmente relacionadas à posse consciente.
Na prática, “tutor” se tornou o termo preferido para falar com o público, enquanto “responsável” permanece forte em contextos formais e jurídicos.
Especialistas em comunicação e comportamento afirmam que o vocabulário molda percepções. Ao substituir “dono” por “tutor” ou “responsável”, reforça-se a noção de cuidado ético, bem-estar animal e convivência consciente. A linguagem ajuda a consolidar a ideia de que ter um animal não é um direito, mas um compromisso.
Tendência aponta para padronização
Apesar de ambos os termos serem considerados corretos, o movimento do setor aponta para uma adoção crescente de “tutor” como padrão em comunicações de clínicas, empresas, ONGs e influenciadores. A palavra reforça um olhar moderno, sensível e alinhado à causa animal — características valorizadas pelo público e pelo mercado.
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