O setor pet brasileiro segue demonstrando resiliência, mas enfrenta um conjunto de pressões estruturais que ajudam a explicar a desaceleração recente do crescimento. Na avaliação do presidente do Conselho Gestor da Abempet, José Edson Galvão de França, há uma combinação de fatores que impacta diretamente a cadeia, da indústria ao consumidor final, o que exige uma leitura mais ampla sobre o momento do mercado.
Um dos principais pontos é a distorção tributária. Segundo ele, ainda existe uma desconexão entre a realidade do setor e a forma como ele é enquadrado do ponto de vista fiscal. Produtos e serviços pet seguem sendo tratados, em grande medida, como itens supérfluos, apesar de, segundo ele, estarem cada vez mais associados à saúde, ao bem-estar e até à prevenção de doenças. “Na prática, esse descompasso encarece o acesso e restringe o consumo. Quanto maior o preço, menor a compra”, resume.
Outro fator relevante é a forte influência do câmbio sobre os custos de produção. Parte significativa dos insumos utilizados, especialmente na fabricação de alimentos, é dolarizada. Com a valorização da moeda norte-americana, os custos sobem de forma quase imediata. O setor até consegue absorver uma parcela dessas variações, mas há um limite. “Chega um momento em que não há mais espaço. As margens já vêm pressionadas por outros fatores, tornando inevitável algum nível de repasse ao consumidor”, explica.
Inflação e insegurança jurídica
Esse panorama ganha contornos ainda mais críticos com a pressão inflacionária ao longo de toda a cadeia. Não se trata apenas do produto final, mas de um efeito acumulado que envolve transporte, energia, insumos e serviços.
“Ainda que o cuidado com os pets se mantenha como prioridade, há uma mudança clara na forma de consumo, com mais comparação de preços, decisões mais racionais e, em muitos casos, redução de frequência de compra ou do tíquete médio. Esse movimento já se reflete em um crescimento mais moderado do setor”, adverte.
Por fim, a insegurança jurídica aparece como um entrave adicional. A existência de regras fragmentadas em níveis estadual e municipal cria um ambiente de incerteza para as empresas. “Normas que não dialogam entre si aumentam a complexidade operacional, elevam custos e dificultam o planejamento de longo prazo. Para um mercado com alto potencial de expansão, essa falta de padronização representa um obstáculo desnecessário”, analisa.
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