O ensino semipresencial na veterinária foi alvo de severas críticas do Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV) após a publicação do Decreto nº 12.456/2025 pelo governo federal, na terça-feira (dia 20). A norma, que regulamenta a Nova Política de Educação a Distância (EaD), estabelece regras para que alguns cursos superiores, como a medicina veterinária, ocorram nos formatos presencial ou semipresencial.
Pelo novo modelo, ao menos 40% da carga horária deve ser cumprida presencialmente e 20% por meio de atividades presenciais ou aulas remotas ao vivo. Por outro lado, graduações como medicina, enfermagem, odontologia e psicologia seguem restritos ao formato totalmente presencial.
O CFMV posicionou-se de maneira enfática contra a medida. “A decisão surpreendeu e frustrou toda uma classe de profissionais da saúde. Medicina veterinária é medicina, e a prática não se aprende por vídeo”, afirma a presidente Ana Elisa Almeida.
O conselho protocolou dois ofícios. Um deles foi remetido ao Ministério da Educação (MEC), com pedido de audiência institucional e acesso aos documentos técnicos que embasaram a decisão. Para o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), o CFMV solicitou apoio para defender a formação exclusivamente presencial na área.
A Associação Nacional de Clínicos Veterinários do Brasil (Anclivepa Brasil) também manifestou preocupação diante da publicação da portaria que deixou de incluir o curso de medicina veterinária entre aqueles que exigem formação 100% presencial.
“A formação prática e presencial é indispensável para garantir a qualidade da formação de médicas e médicos-veterinários, cuja atuação é essencial para a saúde pública, o bem-estar animal, a segurança alimentar e a proteção ambiental. A ANCLIVEPA BRASIL está alinhada ao posicionamento do Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV) e se soma aos esforços para que essa decisão seja urgentemente revista, em respeito à sociedade e à complexidade da atuação profissional na Medicina Veterinária”, diz a entidade em nota enviada ao Panorama PetVet.
Ensino semipresencial na veterinária mobiliza empresários
A medida gerou, ainda, reações no setor privado. Fabiano de Granville Ponce, executivo da VetFamily, fundador da EloVetNet e colunista do Panorama PetVet, considera a decisão incoerente. “Todas as áreas da saúde lidam com vidas. Um curso semipresencial, da forma como está proposto, é inadequado”, ressalta.
Ponce reconhece que o modelo remoto ao vivo poderia ser útil em disciplinas teóricas, especialmente para alunos de baixa renda, citando o custo elevado de deslocamento nas grandes cidades. “Se o aluno economizasse três horas de trânsito por dia, poderia investir esse tempo nos estudos”, observa. No entanto, ele pondera que há matérias desde o primeiro ano de curso que exigem interação prática e, por isso, são inviáveis a distância. “Não há como garantir qualidade sem a presença física”, defende.
Brasil lidera em cursos de veterinária
O Brasil conta com mais de 500 cursos de medicina veterinária, superando a soma de todos os demais países. Para Ponce, esse cenário já levanta dúvidas sobre a qualidade da formação, mesmo no modelo 100% presencial.
“A maioria dessas instituições já não oferece ensino adequado. Com o semipresencial, a tendência é piorar. Isso compromete a formação profissional e impacta inclusive setores estratégicos como o agronegócio, no qual o veterinário é essencial”, alerta.
Ele conclui que a decisão do MEC pode trazer sérias consequências. “É um tiro no pé. Teremos problemas econômicos para o país, impactos negativos para a profissão, para os pets e para a população. Uma pena que essa tenha sido a escolha.”
Estudo aponta avanços no uso da Cannabis sativa em pets
Estudo publicado na Pubvet mostra benefícios do uso de Cannabis sativa em cães e gatos, com eficácia no tratamento de doenças e manejo da dor, reforçando avanços na veterinária.
Andipet premia melhores indústrias do setor pet
Andipet premiou 15 indústrias do setor pet em 5 categorias durante a PETSA, reconhecendo qualidade, inovação e apoio à distribuição, com votos de mais de 60 distribuidores do Brasil.
Mercado global de pet food pode dobrar de tamanho até 2035
Mercado global de pet food deve quase dobrar até 2035, atingindo US$ 247,7 bi, impulsionado por humanização dos pets, demanda por alimentos premium e nutrição personalizada.
Boleto
Reportar erro!
Comunique-nos sobre qualquer erro de digitação, língua portuguesa, ou de uma informação equivocada que você possa ter encontrado nesta página: