O setor pet brasileiro revisou, embora com cautela, sua projeção de desempenho para 2025 como positiva. A Abempet (Associação Brasileira das Empresas do Setor de Animais de Estimação) estima um crescimento de 3,36% frente a 2024, resultado que representa o menor avanço desde 2019. O faturamento esperado é de R$ 77,89 bilhões, ainda abaixo das expectativas iniciais e distante da marca de R$ 78 bilhões projetada anteriormente.
Em 2024, o setor faturou R$ 75,4 bilhões, número inferior ao previsto no ano passado. Segundo a Abempet, inflação persistente, desaceleração do consumo, desvalorização cambial e elevada carga tributária segue limitando a expansão. Para Caio Villela, CEO da entidade, o cenário mostra desafios relevantes, ainda que exista resiliência entre empresas e consumidores.
Pet food mantém liderança, mas perde ritmo
A venda de alimentos industrializados para cães e gatos permanece como o maior gerador de receita do setor. O pet food deve encerrar 2025 com R$ 41,4 bilhões, o equivalente a 53,1% do faturamento total, mas com crescimento modesto de 1,5% em relação a 2024. O comportamento indica estabilidade e perda de velocidade em um segmento historicamente dominante.
Outras áreas mostram desempenho mais favorável, especialmente a venda de animais por criadores, que deve movimentar R$ 8,6 bilhões com alta de 5,3%, e o pet vet, que inclui serviços e produtos veterinários e deve alcançar R$ 8,2 bilhões com o maior crescimento entre os blocos, estimado em 6,7%.
No varejo, os pequenos e médios pet shops seguem líderes, concentrando 48,1% das vendas e somando aproximadamente R$ 37,5 bilhões até o final do ano. Clínicas e hospitais veterinários ocupam a segunda posição com 17,5% do mercado, enquanto as grandes redes representam 9,6% das vendas.
O e-commerce continua relevante, mas cresce abaixo do esperado. Pet shops virtuais devem alcançar R$ 2,3 bilhões, enquanto lojas digitais de megastores somam R$ 2,1 bilhões e pequenos e médios estabelecimentos movimentam R$ 1,3 bilhão.
Projeção de faturamento do varejo por nicho (em bilhões de R$ e %)
Para José Edson Galvão de França, presidente do Conselho Gestor da Abempet, o comportamento do consumidor tem sido mais criterioso, o que reforça a necessidade de eficiência e competitividade. “Para isso precisamos de um ambiente tributário mais equilibrado para a evolução sustentável do setor”, acredita.
Produção de pet food sobe novamente
Após queda de 0,6% em 2024, a produção brasileira de pet food deve apresentar leve alta de 0,85% em 2025, retornando ao volume de 2023 e ultrapassando novamente as 4 milhões de toneladas. “Mesmo com a recuperação, o número fica muito aquém da capacidade instalada da indústria, que pode superar 9 milhões de toneladas anuais”, projeta.
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