Marcela Barbieri

O Homeoffice e a saúde mental dos cães

Escrito por Marcela Barbieri

30 AGO 2023 - 11H00

Antes da pandemia, a grande maioria dos tutores já havia estabelecido uma rotina que permitia mais momentos fora de cada do que dentro. Com isso, seus respectivos animais já chegavam na casa tendo que se acostumar com o fato de ficarem mais sozinhos e independentes.

Sabemos que cães são animais que convivem em grupo social. Essa espécie procura fazer todas as atividades em conjunto: caçar, dormir, explorar o ambiente etc. Ficar a maior parte do tempo sozinho, nunca foi algo desejável para esses animais e com a chegada do modelo homeoffice, muitos cães puderam se beneficiar dessa nova rotina.

Acontece que saímos de um modelo de 8 para 80 na questão do convívio social e, de repente, começamos a criar os animais de uma forma em que eles não ficavam praticamente nenhum momento do dia sozinhos. A consequência disso, foram inúmeros casos de Síndrome de Ansiedade de Separação aparecendo e fazendo dessa casuística uma das mais frequentes na clínica veterinária comportamental dos últimos tempos.

Essa patologia ainda é muito discutida nos grupos veterinários comportamentais, muito pelo fato de não existir exatamente um protocolo tão rígido de tratamento. Tudo vai depender da idade do animal, de como foram os primeiros meses de vida (principalmente o periodo de socialização), da disponibilidade do tutor para executar o treinamento, da gravidade da SAS e muitos outros fatores. Até mesmo com relação ao uso de psicofármacos, muitas vezes não é possível seguir com a primeira escolha e é necessário fazer uma troca, a depender da resposta do animal.

De qualquer forma, uma coisa é certa: quando se fala em criação de cães, nenhum modelo extremista de convivência é visto como ideal. Ficar o tempo todo sozinho predispõe a alterações comportamentais e o contrário também. Para uma convivência saudável, é necessário flexibilizar a rotina, estimular a independência em alguns momentos do dia e também manter atividades em conjunto. Além disso, não podemos esquecer que cães precisam de oportunidades para expressão de comportamentos naturais. Passeios diários, atividades de faro, socialização e interação com Enriquecimento Ambiental também tem influência direta na manutenção do bem-estar.

Por Marcela Barbieri, Médica Veterinária, Especialista em Etologia Clínica Veterinária, Zootecnista e Adestradora 

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