O setor de serviços para pets é um dos que pôde voltar a respirar aliviado com o fim da pandemia e um dos que vêm registrando bons números ultimamente. De acordo com o Instituto Pet Brasil (IPB), houve um crescimento de 10,9% no rendimento do setor de serviços gerais para pets em 2022. O faturamento dessa fatia corresponde a quase 11% do total do mercado pet no país, equivalente a R$5,3 bilhões de reais e é aí que se encontram as creches caninas.

Mas apesar dos bons números, esse segmento sofreu na pandemia, mesmo com mais pessoas decidindo ter um pet. A Uipa (União Internacional Protetora dos Animais) calcula que a procura de animais para adoção aumentou em 400% nos primeiros meses de isolamento social, o que fez o setor se movimentar, mas, até então, eles ficavam em casa.
“Enquanto o mercado pet se fortalecia com a pandemia, as creches caninas definhavam no limbo mercadológico. Muitos tiveram suas portas fechadas, especialmente pela falta de regulamentação e reconhecimento do próprio estado em colocar essa atividade dentro da Classificação Nacional de Atividades Econômicas”, conta Paula Assahi, presidente da Associação Brasileira de Creches Caninas (ABCC).
E foi justamente pelo cenário adverso que Paula se uniu com um grupo de empresários que já discutia a profissionalização do serviço e decidiu, em meados de 2021, com mais de 30 membros fundadores criar a ABCC. O objetivo era fortalecer e profissionalizar ainda mais o setor.
E desde o final do ano passado, quando muitas pessoas retornaram ao trabalho presencial ou minimamente o trabalho híbrido, as creches voltaram a crescer, com algumas registrando aumento de mais 30% de 2022 para 2023. De acordo com a presidente da associação, não existe um estudo que defina o perfil dos tutores que utilizam as creches, mas ela destaca que o ponto em comum nessas famílias é o desejo de oferecer bem-estar aos seus cães. “Existe uma gama de especialidades dentro dos serviços de creches caninas, modelos de negócios que acabam atendendo a diversas famílias, em diversos níveis da classe social”, completa.
A variedade nesses estabelecimentos é grande, com possibilidade de atendimento a pets de portes pequenos ou apenas grandes e até locais que se especializaram em cães idosos ou com necessidades especiais. E mesmo havendo opções para todos, vale lembrar que nem todos os perfis de cães se adaptam bem com estímulos sociais promovidos pelas creches. “É preciso avaliar o perfil, temperamento, saúde física e emocional do cão, bem como o perfil da família para encontrar um local que venha a somar e elevar a qualidade de vida de todos”, pontua Assahi.
ABCC e PET South America
A associação responsável pelas creches caninas firmou, pela primeira vez, uma parceria com o maior evento de negócios pet da América Latina, a PET South America para criar o Pet Creche Summit, um evento com conteúdos voltados especialmente para esse setor. Temas como daycare para cães inseguros; como ter lucro com daycares e os prós e contras de se investir nessa área foram alguns dos assuntos abordados pelos cinco palestrantes especializados no tema.
O Summit esgotou seus ingressos com um mês de antecedência para o evento, mesmo sendo sua primeira edição. “Nós da ABCC entendemos como um reconhecimento do mercado pet na existência do nicho, nossa seriedade e compromisso com o bem-estar animal, e mostra o quanto existe uma demanda por capacitação, conhecimento e informações sobre o assunto, especialmente porquê lidamos com vidas. Os cães entraram para a família brasileira, espera-se que, neste raciocínio, as creches caninas também”, conclui Paula.
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