Rodrigo Albuquerque

Um ciclo sem fim: bons líderes formam novos líderes

O bom líder deve, enfim, trabalhar incansavelmente para que a empresa mal repare quando ele tira uns dias de férias.

Escrito por Rodrigo Albuquerque

05 AGO 2022 - 07H00 (Atualizada em 05 AGO 2022 - 18H20)

Ao se elogiar um CEO, é comum que se enalteça sua mente inventiva, sua voz de comando, sua assertividade na tomada de decisões. Mais: algumas pessoas, para enfatizar o quão indispensável aquela pessoa é, chegam a dizer que a empresa não sobreviveria um dia na sua ausência.

Discordo veementemente, porém. Um bom líder não é aquele que, de tão bom, é indispensável à sua empresa. É justamente o contrário! O bom líder é aquele que, de tão bom, se torna dispensável ao seu próprio negócio. É aquele que faz de tudo para ter pessoas competentes ao seu lado, que transmite seu conhecimento para que elas possam igualá-lo ou, tanto melhor, superá-lo.

O bom líder deve, enfim, trabalhar incansavelmente para que a empresa mal repare quando ele tira uns dias de férias.

Por isso, sempre insisto que o empreendedor que deseja escalar o seu negócio precisa ter um olhar especial para formar substitutos à sua altura. É preciso descentralizar a gestão, confiar nas pessoas e empoderá-las para que possam trabalhar da melhor maneira possível – e sem grandes interferências.

Assim, em vez de cuidar de pequenas tarefas do dia a dia, o líder poderá focar nas estratégias do negócio, no crescimento de longo prazo e, claro, na formação de líderes melhores do que ele mesmo.

Dois tipos de liderança

Há duas formas principais de liderança. Uma, a mais conhecida, é a liderança com controle. Nela, o gestor atua de forma centralizadora, acompanha tudo de perto, aprova toda e qualquer tarefa e estipula o que cada um tem que fazer - nem preciso dizer que não é meu método favorito.

Prefiro a liderança com contexto, na qual o líder fornece critérios e informações para que liderados, com autonomia, tenham uma visão 360º do negócio e tomem as melhores decisões. Esse segundo método é mais difícil, dá mais trabalho, mas, ao mesmo tempo, é gratificante e gera resultados bem melhores!

Para que dê certo, no entanto, é preciso que o próprio gestor dedique tempo à sua construção e, além disso, que se concentre em uma etapa anterior e essencial: a de recrutamento. É preciso que a seleção da equipe seja feita com critério, pois pouco adianta dar autonomia a quem não tem conhecimento, competência e, principalmente, atitude.

Digo sem medo de errar que 50% do sucesso de um time depende de uma contratação acertada. Mesmo assim, 95% dos líderes não investe tempo na seleção de pessoas. Isso precisa mudar! O gestor precisa se envolver diretamente, avaliando não só as habilidades como também o perfil do candidato.

Dito isso, destaco aqui alguns passos indispensáveis a uma liderança com contexto:

• Observe os liderados e identifique competências que podem ser aprimoradas;
• Dê espaço para que a equipe possa expor ideias;
• Incentive a autonomia e a produtividade;
• Implemente a cultura do feedback (falei sobre isso na minha última coluna)
• Treine, treine e treine mais um pouco;
• Acompanhe a performance das equipes e valorize os melhores talentos.

Bônus: Outra forma interessante de desenvolver novas lideranças é incentivar o hábito de leitura. Eu faço isso na Petland&CO. Uma vez por mês presenteio algum colaborador com um livro que me ajudou e me inspirou.

Por fim, lembre-se de que não existe funcionário ruim, existe funcionário na função errada – e na empresa errada.


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